Elis Regina: 30 anos de saudade, parte 2

Em 1968, Elis fez sua primeira turnê à Europa, alvcançando enorme êxito no eixo internacional. No famoso Olympia de Paris, ela foi a primeira artista a se apresentar duas vezes num mesmo ano nessa que é uma das mais antigas salas de espetáculos da capital francesa. Graças à sua agitação no palco, o jeito de falar sem papas nas linguas e pelo fato de ter baixa estatura, o poeta Vinícius de Morais deu a Elis o apelido de “Pimentinha”. a cantora e compositora Rita Lee, a chamava de “Hélice Regina” por causa da performance de Elis usando os braços.

Elis lançou grandes compositores/intérpretes, até então desconhecidos da música brasileira, tendo gravado duetos e composições deles. Ela foi madrinha de Milton Nascimento, Renato Teixeira, Gilberto Gil, Aldir Blanc, Tim Maia, João Bosco, Sueli Costa, entre outros. Em 1969, ela gravou duas músicas compostas pelo Rei do Futebol, Pelé. São elas: Perdão Não Tem e Vexamão.

Embora tivesse sido bem destacada nos anos 60, o auge artístico de Elis aconteceu na década de 70. Além de ir muito bem em seus shows e gravações, Elis também era uma crítica feroz no regime militar e tratava de deixar isso bem claro em suas entrevistas e interpretações. Nunca houve revide por parte do governo devido à popularidade de Elis, que nunca se esgotou. Ela às vezes tinha que cantar o Hino Nacional em cerimônias, o que deixava a esquerda brasileira revoltada e a criticasse.

Ela era totalmente a violência usada pelos militares e a favor da anistia aos perseguidos pelo sistema e deixou bem claro em sua interpretação única do clássico da MPB O Bêbado e a Equilibrista (João Bosco e Aldir Blanc), onde cita a morte do jornalista Wladimir Herzob ( no verso “Choram Marias e Clarices [esposa de Vlado]”) e a volta dos exilados (no verso “Meu Brasil, que sonha com a volta do irmão do Henfil [o sociólogo Betinho, um dos exilados] e tanta gente que partiu”).

Elis também era muito conhecida por suas grandes parcerias musicais. Uma delas, citada no post anterior, foi com o cantor Jair Rodrigues e o show Dois na Bossa. Em 1974, fez parceria com o grande nome da música brasileira Tom Jobim, com quem gravou o álbum Elis & Tom. Fez um dueto com o então estreante Tim Maia e interpretou clássicos de conhecidos cantores da MPB como Milton Nascimento (Travessia), Belchior (seu clássico de hoje e sempre, Como nossos pais) e Gilberto Gil (Se eu quiser falar com Deus) de seu memorável último disco Trem Azul.

Elis era também uma grande mãe e deixou uma prole ligada à música. De seu casamento com Ronaldo Bôscoli, nasceu João Marcelo Bôscoli. De seu segundo matrimônio com o pianista César Camargo Mariano nasceram Pedro Camargo Mariano e Maria Rita, todos eles seguindo os passos dos pais músicos.

Elis saiu de cena no dia 19 de janeiro de 1982, deixando órfãos muitos apreciadores de boa música como este que vos escreve. Só nos resta o seu legado e uma saudade imensa de sua voz marcante e sua performance inesquecível. Não posso esquecer de citar sua antológica interpretação de Fascinação.

Fonte:

Wikipedia

Dicionário Cravin

Deixe um comentário

Arquivado em Música, MPB

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s