Mestres do Metal: Black Sabbath, parte 5

Em 1986, Tony Iommi era o único remanescente da formação original do Black Sabbath. Teve a ideia de se lançar em carreira solo. Com a recusa da Warner Bros., gravadora do Sabbath no desenvolvimento desse projeto, o guitarrista lançou o álbum Seventh Star, creditado como Black Sabbath featuring Tony Iommi. A banda contava com Glenn Hughes (vocais), Dave “The Beast” Spitz (baixo), Geoff Nichols (teclados) e Eric Singer (bateria). O baixista Gordon Copley (da banda de Lita Ford, namorada de Iommi à época) teve uma rápida passagem pela banda, mas foi substituído por Spitz. O disco tem músicas muito boas como a faixa título, In for the Kill e No Stranger to Love, uma das mais belas baladas sabáticas, mostrando a grande capacidade de Hughes como vocalista do Sabbath [embora ele tenha declarado posteriormente que cantar no Black Sabbath era o mesmo que o James Brown como vocalista do Metallica].

Quando faltava uns quatro dias para o início da turnê, Glenn Hughes se envolveu numa briga feia num bar com um dos membros da produção da banda e levou um soco na garganta, que afetou o osso orbital, o que o impossibilitou de cantar e seguir a banda. Existe uma versão que que Hughes teria feito alguns shows da turnê, mas seus problemas com drogas o teriam impedido de continuar. Tony chamou às pressas o cantor Ray Gillen. O desempenho do cantor foi muito bom e Tony começou a cogitar o próximo álbum da banda.

Até a concretização da gravação do álbum, o Sabbath passou por muitas mudanças. Dave Spitz se desentendeu com Iommi e saiu. Para seu lugar foi chamado Bob Daisley (ex-Rainbow), que chegou a gravar algum material mas, antes do término das sessões, ele deixou a banda, indo trabalhar com Gary Moore e levando Eric Singer com ele. Outro que saiu foi Ray Gillen, que deixou a banda sem nenhum aviso prévio, apesar de ter concluído sua participação no disco [esse material acabou sendo lançado como bootleg, mas foi incorporado ao álbum quando de sua reedição]. Há quem diga que ele saiu porque não sentia muita firmeza numa banda sem um baixista e um baterista fixos. Para seu lugar, cogitou-se o retorno de Ozzy como nos bons tempos, mas a essa altura, Mr. Madman ia muito bem, obrigado em sua carreira solo.  Quem acabou sendo chamado foi Tony Martin, que não viu nenhum problema regravar o material escrito por Gillen e colborar em outras composições. A banda contou com o retorno de Bev Bevan, que atuou como percussionista e completou alguns takes da bateria.

Assim, desfacelado, o Sabbath lançou em 1987 o álbum The Eternal Idol, que tinha como destaque a faixa título, The Shining e Born to Lose. Para a turnê do disco, foram chamados o baixista Jo Burt e o batera Terry Chimes (ex-The Clash), que acabou entrando no lugar de Bevan, pois este recusava-se a cumprir a etapa sul-africana da turnê, demitindo-se, assim de seu posto. A exemplo do que já acontecera com Gillan e Hughes, os fãs sabáticos não sentiam muita firmeza em Tony Martin, chamando-o desdenhosamente de “Dio Cover”. Chimes acabou deixando a banda após a conclusão da turnê e Cozy Powell, ex-Rainbow foi chamado para seu lugar. O batera havia sido cogitado em 1982, em substituição a Vinnie Appice, mas recusou o convite. Para o baixo, Iommi chamou Laurence Cottle.

Em 1989, a formação acima, mais o tecladista Geoff Nichols, a banda  gravou o álbum Headless Cross com músicas como a faixa título, Devil and Daughter  e When Death Calls, que contou com a especialíssima participação de Brian May, guitarrista do Queen. O álbum até que teve boa aceitação da crítica. Para a turnê, Laurence Cottle saiu e foi substituído por Neil Murray (ex-Whitesnake e Gary Moore). Dentre os locais da turnê agendados estava a Rússia, logo após a Glasnost de Mikhail Gorbachev, sendo uma das primeiras bandas de Rock a tocar no país.

Em 1990, o Black Sabbath não era nem de longe aquela banda poderosa e que teve três dos melhores cantores de Heavy Metal da história – Ozzy, Dio e Gillan. Com a formação que concluiu a turnê anterior, gravaram o álbum Tyr, que mexia com elementos da mitologia nórdica , com músicas como a trilogia The Battle of Tyr, Anno Mundi e Feels Good to Me. O disco teve um desempenho muito fraco, mas a sorte do Sabbath estava começando a mudar. Num show, Dio chamou o velho colega de Sabbath, Geezer Butler para uma canja. Os dois saíram de lá dispostos a retomar seus dias sabáticos. Conversaram com Tony, que não viu nenhum problema na volta do [quase] Sabbath de Dio. Neil Murray e Tony Martin acabaram sendo dispensados.

Sabbath 1989: Iommi, Powell, Martin e Murray

Continua no próximo post

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