Lendas do Rock: Johnny Cash, parte 3

Em 1968, graças à ajuda e o amor de June Carter, Johnny venceu o vício e os dois se casaram, tornado sua parceria mais coesa. Antes do nascimento do rebento do casal, John Carter Cash, Daddy Johnny fez sucesso com dois álbuns ao vivo lançados em 1968 e 1969, Johnny Cash at Folsom Prison e Johnny Cash at San Quentin. Para a gravação do primeiro, Johnny teve que comprar uma briga na gravadora, que acreditava que um disco gravado numa prisão nunca faria sucesso. Pois a Columbia errou feio. Folsom Prison é um dos melhores álbuns da carreira de Cash e um clássico do Rock e do Country.

A partir de 1969, Johnny estrelou seu prórpio programa de TV, onde recebia grandes nomes da música, dentre os quais Bob Dylan e Neil Young. Uma das grandes revelações do programa foi o compositor e cantor Kris Kristofferson, que no final dos anos 70 começaria uma bem sucedida carreira como ator. Nessa década, ele começou a ser chamado pelos fãs de Homem de Preto, pois na maioria das vezes se apresentava com roupas dessa cor. Ele mesmo tentou explicar em uma de suas músicas mais famosas, Man in Black (1971) o porque dessa tendência:

I wear the black for the poor and the beaten down, / Livin’ in the hopeless, hungry side of town, / I wear it for the prisoner who has long paid for his crime, / But is there because he’s a victim of the times” (“Eu me visto de preto pelos pobres e oprimidos/ Que vivem no lado faminto e sem esperanças da cidade / Eu me visto assim pelo prisioneiro que há muito pagou por seu crime / Mas está ali pois é uma vítima dos tempos“).

Sua carreira começou a declinar durante a década de 70, mas sua autobiografia, Man In Black se tornou um best seller (vendeu cerca de 1,3 milhões de exemplares. Ajudou o amigo evangelizador Billy Graham a produzir um especial sobre a vida de Jesus Cristo chamado The Gospel Road, onde participou coescrevendo o roteiro e fazendo a narração. Sua rotina de shows e aparições não diminuiu. Ele fez um especial de Natal no decorrer dos anos 70.

Entrou na década de 80 como membro do Country Music Hall of Fame, sendo o mais novo dos indicados. Fez alguns filmes para TV como The Pride of Jesse Hallam (1981) e Murder In Coweta County 1983). Voltou a fazer shows e formou uma banda com os amigos Willie Nelson e Kris Kristofferson chamada The Highwaymen (não confundir com o grupo folk, homônimo, formado nos anos 60).

Infelizmente, Johnny voltou a ter problemas com drogas, especialmente depois de se automedicar por causa de um ferimento no estômago. Começou um novo processo de desintoxicação e em 1986, conheceu o roqueiro Ozzy Osbourne (Black Sabbath), que também frequentava a mesma rehab. Ficaram muito amigos. Nesse ano, escreveu seu segundo livro, um romance chamado Man In White, contando a história da conversão de Saulo de Tarso no Apóstolo Paulo, um dos alicerces do Cristianismo.

Em 1987, o relacionamento de 28 anos com a gravadora Columbia chegou ao fim e suas relações comerciais em Nashville, berço do Country começaram a desaparecer, o que o impediu, durante algum tempo contrato com gravadoras majors. Ele assinou com a Mercury Records numa relação mal sucedida. Partiu para a prática da autoparódia com o álbum The Chicken In Black.

Teria passado em brancas nuvens na década de 90, se não fosse o produtor Rick Rubin do selo American Recordings que acolheu o grande astro dos anos 50 em seu cast, apesar da indiferenças de gravadoras de grande porte. A gravadora era muito conhecida por seus discos  artistas ligados ao Rap e Hard Rock. O que um dinossauro como Johnny Cash poderia oferecer para um público tão novo? Resposta no último e conclusivo post desta série.

Johnny Cash ao vivo na Fulsom Prison: um de seus shows mais emblemáticos

Conclui no próximo post.

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