Grandes Nomes do Soul: Wilson Simonal, parte 1

Temos uma seção nova no blog e para inaugurá-la, vamos falar sobre um grande cantor dos anos 60, que foi um dos mais destacados artistas negros do Brasil em todos os tempos e um showman carismático que sabia como ninguém, animar as massas. Falamos do saudoso Wilson Simonal, o eterno Rei da Pilantragem

Wilson Simonal de Castro nasceu no dia 26 de fevereiro de 1938 na cidade do Rio de Janeiro, RJ, Brasil. Era filho de uma empregada doméstica e aos 17 anos conheceu a Turma do Matoso, um pessoal que foi arrebatado pelo Rock and Roll americano que começava a dar o ar da graça em terras brasileiras. Eram jovens que se reuniam na Rua do Matoso (daí o nome do grupo), na Tijuca, para ouvir as novidades musicais da Terra do Tio Sam. Faziam parte daquela patota: os cariocas Erasmo Esteves, Sebastião Maia, Jorge Duílio Meneses (também chamado “Babulina”) e um capixaba chamado Roberto Carlos Braga. Os nomes acima podem soar estranhos, mas se eu escrever Erasmo Carlos, Tim Maia, Jorge Benjor e Roberto Carlos, aí os leitores já sabem quem são. Além desses futuros grandes nomes da música brasileira, faziam parte da turma: Antônio Pedro, Arlênio, Edson Trindade, Alcina “China” e Wellington

Quando era cabo do exército, Wilson começou a cantar em bailes do 8º Grupo de Artilharia de Costa Motorizado (8º GACOSM), que tinnha sede no Leblon. Seu repertório tinha calípsos e músicas em inglês. Depois, fez parte dos conjuntos Dry Boys e Guaranis. Começou a ficar em evidência o participcar do programa de TV Os Brotos Comandam de Carlos Imperial, que muito o ajudou em seu início de carreira. A coisa começou a pegar de verdade quando Luis Carlos Miéle e Ronaldo Bôscoli levaram o cantor para o Beco das Garrafas, o legendário reduto da Bossa Nova. Lá, Simonal mostrava a que veio. Nascia um dos melhores performers da música brasileira. 

Depois de uma viagem pela América Latina em 1964, acompanhado pelo grupo Bossa Três, Simonal começou a aparacer em programas de televisão como Fino da Bossa, onde fez duetos com a “Pimentinha” Elis Regina. Também “bateu ponto” no Jovem Guarda dos amigos Erasmo e Roberto Carlos. Fez sucesso com músicas como País Tropical (Jorge Ben), Meu Limão, Meu limoeiro; Mamãe Passou Açúcar em Mim, Nem Vem que Não Tem e Sá Marina

Tanto destaque na telinha fez com que a TV Record desse um programa a ele, Show em Si…Monal, com direção do amigo de sempre Carlos Imperial. Foi a primeira vez que um negro ganhou um programa de televisão no Brasil. Mas não pensem que ele ficou mascarado por causa disso. Ele sabia como a sociedade olhava com desconfiança para os “irmãos de cor”. Para eles, compôs, em parceria com Ronaldo Bôscoli, o clássico Tributo a Martin Luther King

Também foi articulador, junto com Imperial, além de músicos como César Camargo Mariano e Nonato Buzar, de um movimento musical chamado Pilantragem, que consistia numa mistura do Samba brasileiro e o Soul norte americano.  A música Carango (composição de Carlos Imperial), um grande sucesso de Simonal e regravado depois por Erasmo Carlos, é um exemplo dessa tendência. Foi até criado um grupo chamado Turma da Pilantragem, que lançou três discos.

Continua no próximo post

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