Lendas do Rock: Roy Orbison, parte 2

Os problemas de Roy com a Sun Records pelos royalties começaram quando ele ainda estava recém-casado com Claudette Orbison (née Frady). O casal vivia num apartamento pequeno e vivia de apresentações informais dele em clubes e bares. Mesmo com o trabalho com a Acuff-Rose escrevendo canções não ajudava a pagara as contas. E eles já estavam com um bebê (Roy Dwayne Orbison) a caminho.

Ele começou uma parceria regular com o compositor Joe Melson e os dois escreveram umas sete músicas para a RCA Nashville, com produção de Chet Atkins. Chegou a gravar seu primeiro e único álbum pela Sun, Roy Orbison at the Rock House, lançado em 1961, com destaque para You’re My Baby (composição do amigo Johnny Cash), Rockhouse e Ooby Dooby. Para encerrar de vez seus problemas com a Sun, Roy abriu mão de direitos autorais de sua composição Claudette. Liberado, assinou contrato com a Monument Records com a ajuda de seus amigos da Acuff-Rose.

Em 1960, Roy gravou seu primeiro disco pela nova casa, uma música que havia sido recusada pela RCA, Paperboy, contando com o lado B With the Bug. Infelizmente, esse single não chegou às paradas. Ele foi o primeiro artista a popularizar o chamado Som de Nashville, contando com músicos de apoio do mais alto nível: a banda era a The Nashville A-Team, as vozes de apoio ficavam por conta dos Jordanaires (que acompanharam Elvis) e Anita Kerr Singers.

Seu single seguinte, Up Town, teve uma modesta repercussão nas paradas (72º lugar no Hot 100), mas representou o começo da virada na vida do cantor. Naquele momento, Roy Orbison era o único grande nome da Primeira Onda em evidência, mesmo sem o mesmo estouro de outrora, tendo que concorrer com os famigerados Teen Idols do início da década.

No ano seguinte, saiu Lonely & Blue, seu primeiro álbum pela Monument e o segundo de sua carreira. As músicas de destaque são o clássico de Don Gibson I Can’t Stop Lovin’ You (um grande sucesso na voz de Ray Charles), Bye Bye Love dos Everly Brothers, em retribuição por eles terem gravado Claudette uns anos antes e o clássico de Big O, Only the Lonely. Ele e Melson compuseram essa bela balada e a ofereceram a Elvis, que a recusou. Cogitaram dá-la aos Everly Brothers que declinaram também. Roy decidiu gravá-la ele mesmo.

A música ficou em primeiríssimo ligar na Grã Bretanha e por pouco não consegue esse feito nos EUA. Reza uma lenda de que foi graças a ela que um futuro grande nome do Rock gravou um dos clássicos de sua banda. O nome do músico? John Lennon. O nome do clássico? Please Please Me. O nome da banda? The Beatles!

Em 1962, saiu o álbum Crying, quase todo com material da dupla Orbison & Melson, com destaque para a lindíssima e triste Crying (que foi regravada por Don McLean na década seguinte, alcançando grande sucesso ), Running Scared (inspirada no Bolero de Ravel), Lana e versões para The Great Pretender (The Platters) e Love Hurts (Everly Brothers). As duas primeiras tiveram um ótimo desempenho nas paradas (1º lugar para Running Scared nos EUA, que ficou em 9º na Inglaterra; 2º lugar para Crying nos EUA). E o sucesso não parou por aí: Candy Man ficou no Top 30 e Dream Baby (How Long Must I Dream) ficou em 4º lugar. Foi nesse ano que nasceu o segundo filho de Roy, Anthony King Orbison.

Em 1963, saiu o álbum In Dreams repleto de clássicos de Roy: a faixa título (de Roy), a já citada Dream Baby (Cindy Walker), sua versão para o standard Beautiful Dreamer (Foster), o clássico dos Everly Brothers All I Have to Do is DreamDream de Johnny Mercer e Blue Bayou (Orbison, Melson). Por conta de um astigmatismo, Roy usava óculos, que acabou perdedo numa viagem. Aí, começou a usar óculos escuros, o que lhe conferiu uma aura de mistério, aliado à sua roupa preta e o desespero de algumas de suas letras. Fez então sua primeira turnê na Inglaterra, onde conheceu músicos ingleses que fariam muito sucesso um ano depois. Quem eram eles? Beatles e Gerry & The Pacemakers.

Continua no próximo post

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