Deep Purple, parte 2: Mark I

Em 1967, Chris Curtis, o ex-baterista dos Searchers começou a formar o Roundabout e os primeiros músicos a serem chamados para o projeto foram o tecladista Jon Lord (ex-Artwoods e ex-Flowerpot Men) e Ritchie Blackmore (havia tocado nas bandas The Outlaws, Screamin’ Lord Sutch e Neil Christian’s Crusaders). O produtor Tony Edwards da Hec Enterprises gostou da ideia e começou a bancá-la, ajudando no contato aos candidatos e na divulgação da nova banda. Só que na hora da estreia, o baterista sumiu do mapa e houve uma alteração nos planos iniciais. Foram recrutados o baixista Nick Simper (que havia participado do Johnny Kidd & The Pirates e Flowerpot Men), o vocalista Rod Evans e o baterista Ian Paice (ambos do The Maze).

Em 1968, a banda recém-formada tinha como quartel-general um clube de campo em Soth Mimms, onde poderiam ensaiar, compor e ficar à vontade. No mês de abril, f izeram seu début numa pequena turnê à Dinamarca e Suécia, ainda usando o nome Roundabout, por força contratual. De volta, trataram de pensar num nome para a banda. Blackmore sugeriu o nome de uma velha canção, favorita de sua avó e que fora composta por Billy de Rose (música) e Mitchell Parish (letra) chamada Deep Purple. Essa música foi gravada por diferentes artistas como The Dominoes, Screamin’ Jay Hawkins , Vic Damone e Nino Tempo & April Stevens (a versão mais conhecida dos brasileiros). Outro nome sugerido foi Concrete God, mas ficaram com Deep Purple mesmo.

Em maio de 1968, eles se mudaram para os arredores de Londres, perto do estúdio da Pye, onde começaram a gravar o primeiro álbum, The Shades of Deep Purple, que foi lançado em setembro daquele ano. O set list do álbum está dividido em covers como Hush (de Joe South), que se tornou o carro chefe do disco, Help! (belo arranjo para o clássico dos Beatles), Hey Joe (Jimi Hendrix) e Prelude/Happiness:I’m So Glad (uma mistura do erudito de Rimski-Korsakov e o popular de Skip James), além de composições próprias como Mandrake Root (Blackmore, Lord, Evans), primeiríssima música composta pela banda, que nasceu após uma jam quando Rod Evans e Ian Paice foram testados, além de One More Rainy Day (Lord, Evans) e Love Help Me (Blackmore, Lord). A recepção do disco na Inglaterra (pelo selo Parlophone) foi bastantes fria, mas nos EUA (pelo selo Tetragrammation) a coisa foi diferente. O single Hush chegou ao quarto lugar do Hot 100, um grande feito para uma banda estreante. No canadá, o disco chegou ao segundo lugar. Naquele mesmo ano, fizeram uma turnê com o badalado Cream como banda de abertura. Em dezembro, aproveitando a empolgação e a boa vendagem do disco, eles saíram em turnê, ao mesmo tempo em que lançaram nos EUA o segundo álbum, The Book of Talyesin (que só foi lançado na Inglaterra um ano depois pela Harvest Records). Esse álbum tem como destaque a versão da banda para Kentucky Woman (de Neil Diamond), que chegou ao 28º lugar nas paradas norte americanas, além de Wring That Neck (Blackmore, Lord, Paice, Simper), um número instrumental que teve que ter seu nome alterado para Hard Road, pela violência do título [tradução: torcer o pescoço]. Também se destacam a composição em cima de uma música de Beethoven Exposition (Blackmore, Lord, Paice, Simper) colada com We Can Work It Out, outro clássico dos Beatles e o cover de River Deep Mountan High (Ike & Tina Turner).

Em 1969, além da turnê, a banda começou a gravar o material para o terceiro álbum, Deep Purple (que muita gente chama de Deep Purple III), mas começaram a surgir alguns problemas. A banda começou a reclamar da demora no repasse do dinheiro da venda dos discos pela Tetragrammation. Além disso, Lord e Blackmore reclamaram com Paice não estavam gostando da sonoridade psicodelica da banda, querendo algom mais pesado, na linha do Vanilla Fudge (o guitarrista e o tecladista nunca esconderam de ninguém que queriam que o Purple fosse um “clone do Vanilla”). Isso começou a ser sentido na nova turnê, onde viram que seu vocalista e seu baixista não estavam correspondendo aos anseios por mudanças.

O álbum Deep Purple foi lançado em novembro de 1969 e foi o primeiro com predominância de músicas próprias, além de representar o canto do cisne para a chamada Mark I da banda. No disco, destacam-se Lalena (cover de Donovan), Chasing Rainbows (Lord, Paice) e This Bird Has Flown (Evans, Blackmore, Lord). O disco foi um grande sucesso comercial, mas Evans e Simper estavam com os dias contados.

Mark I: Evans, Lord, Blackmore, Simper e Paice

Continua no próximo post

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