Deep Purple, parte 5: o nascimento de um clássico

Em 1971, o disco Fireball proporcionou uma turnê que fez com que a Mark II consolidasse seu sucesso junto aos fãs dos Purple, sendo considerada definitivamente a formação clássica da banda. No final daquele ano, eles queriam gravar um disco que tivesse a “cara” de uma performance ao vivo. Depois de muito procurarem, acharam em Montreaux, Suiça, um local apropriado para o feito. Em dezembro, eles foram ao Cassino de Montreuax, em frente a um lago, onde estava acontecendo o tradicional Festival de Jazz e aguardaram sua vez de usar o palco. Pegaram emprestado o estúdio móvel dos Rolling Stones para ajudar na gravação. Aí então, aconteceu um fato que entrou para o folclore do Rock and Roll.

A última atração a se apresentar era Frank Zappa & The Mothers of Invention e tão logo eles terminassem, o palco estaria à disposíção do Purple. Só que no meio do show, um zé-mané sem noção disparou um sinalizador que acertou o teto, feito de ratã [uma espécie de palmeira muito parecida com bambu), o que causou um incêndio. Quando Zappa viu tudo pegando fogo, deu o alarme: Fogo! Arthur Brown em pessoa! No início o público achou que se tratava de mais uma piada do Lorde dos Freaks, mas aí em seguida, todos começaram a correr para fora do cassino. Claude Nobs, diretor do fetsival era um dos que ajudava as pessoas a escaparem das chamas. O palco ficou arruinado, zappa e a banda riveram um senhor prejuízo, mas o Deep Purple ganhou um clássico: Smoke on the Water, música inspirada nos fatos ocorridos. Aproveitaram a letra e encaixaram num riff criado pro Blackmore, apelidado de “durrh-durrh” que estava inacabado.

Só que eles tiveram que procurar outro local para gravar o material do disco. Claude indicou um teatro nos arredores, The Pavillion, mas os vizinhos chamaram a polícia e a banda teve que dar no pé. Aí então, foram para o Grand Hotel de Montreaux , que estava vazio e improvisaram alguns corredores e escadas como estúdio de gravação.

Em março de 1972, saiu o álbum com as lendárias sessões na Suiça, Machine Head, que se converteu num verdadeiro clássico do Deep Purple e do Rock and Roll. Além das já citadas Highway Star (finalizada) e Smoke on the Water, que virou um hino dos roqueiros em geral, o disco contava com outros grande clássicos como Lazy (com a fabulosa gaita tocada por Gillan), Never Before Space Truckin’ e Pictures of Home. A linda balada When a Blind Man Cries ficou fora do disco mas entrou no lado B do single de Never Before. Na turnê de divulgação do disco, estava incluída um antológica viagem ao Japão, que rendeu, no final do ano um dos melhores discos ao vivo da banda, Made In Japan. Num dos shows gravados, eles quebraram um paradigma da Mark II: gravaram o cover Lucille (Little Richard), que acabou não saindo na primeira versão do disco. Por conta dessa exaustiva maratona de shows, a banda começou a pedir arrego. Até mesmo Blackmore caiu doente, sendo subsituído pelo guitarrista do Spirit Randy California na das gigs. Num show Gillan estava afônico e Roger Glover teve que fazer as vezes de vocalista. Paralelo a esse pandemônio, iniciaram a gravação de um novo disco, usando a unidade de gravação móvel dos Rolling Stones.

Em fevereiro de 1973, saiu o álbum Who do We Think We Are, o derradeiro disco daquela fantástica formação nos anos 70. Os destaques do disco são Woman from Tokyo, Super Trouper, Smooth Dancer e Rat Bat Blue. Esse disco também foi um grande sucesso de vendas e as exaustivas turnês continuaram. Além do stress, havia outro problema muito grave: Blackmore e Gillan estavam começando a se estranhar. O clima começou a ficar pesado entre as duas estrelas da banda, o que culminou com o peido de demissão do vocalista em junho daquele ano. Gillan cumpriu a agenda do grupo até o final daquele mês.

No derradeiro show, em 29 de junho, nem mesmo a homenagem feita ao batera Paice em seu aniversário naquela data fez com que os ânimos se acalmassem. Roger Glover era outro que também estava a fim de dar um tempo e também pediu o boné. Se bem que a saída do baixista está envolta em muitas controvérsias. Alguns dizem que ele foi demitido e outros que ele pediu as contas. A verdade é que ele não saiu de todo, só começou a trabalhar mais nos bastidores do Purple como executivo e produtor da Purple Records, a gravadora da banda. Seria este o fim?

Machine Head: divisor de águas na história da banda

Continua no próximo post

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