Deep Purple, parte 7: mudanças drásticas

A Mark III despontou em 1974 e agradou a muitos dos fãs do Purple, embora não tivesse o peso do line up anterior, que figurou no Guiness Book como a banda com o som mais alto do planeta. Glen Hughes fechou com a banda ainda durante o “aviso prévio” de Gillan e Glover. Já David Coverdale foi aprovado após exaustiva audição com diversos candidatos. O disco Burn foi um grande sucesso e o novo Purple fez inúmeros apresentações, uma delas no Madison Square Garden em Nova York, EUA. Em abril de 1974, a banda participou do famoso festival California Jam, num episódio que entrou para o folclore do Rock.

O California Jam, festival com duração de 12 horas contínuas, assistido por 250.000 pessoas, teve como atrações, além do Purple como headliner, grandes nomes do Rock como Emerson, Lake & Palmer, Eagles, Black Sabbath, Black Oak Arkansas, Seals & Croft, Rare Earth e Earth, Wind & Fire. Blackmore ficou fulo da vida quando soube que a banda estava escalada para tocar à tarde e que haveriam muitas câmeras no palco. Ele recusou-se a tocar e se fechou no camarim. A banda, em contrapartida, deu-lhe uma “sova” daquelas e ele teve que se apresentar a contragosto. Como se não bastasse isso, o diretor de filmagem do festival Josh White ainda perguntou a ele se ele iria quebrar sua guitarra na apresentação e que se o fizesse privilegiasse a câmera. Num dado momento do show, o temperamental guitarrista acertou uma câmera com seu instrumento, quebrando-a e ainda explodiu um amplificador. A cena em que acontece isso, além do “salto de banda” de Blackmore na hora da explosão, ficou no imaginário da iconografia do Rock.

Em novembro daquele ano, a banda lançou o álbum Stormbringer. A unidade móvel dos Rolling Stones saiu de cena e eles gravaram o material do disco num estúdio em Munique, Alemanha. As pitadas de funky do disco anterior se tornaram muito mais aparentes nesse novo trabalho em músicas como a faixa título (Blackmore, Coverdale), Lady Double Dealer (Blackmore, Coverdale), The Holy Man (Coverdale, Hughes, Lord) e a bela balada Soldier of Fortune (Blackmore, Coverdale). Blackmore não gostou nem um pouco da sonoridade que a banda estava assumindo, mas ficou na dele por um tempo.

As tensões internas, no entanto, começaram a ser sentidas. Hughes e Blackmore começaram a se estranhar, pois o guitarrista teria dito ao baixista que se ele (Hughes) ficasse no seu lado (Blackmore) do palco, ia quebrar a guitarra em sua cabeça. A partir de então, começaram a se evitar. Outro problema crescente era que no estúdio, Hughes se continha ao cantar sua parte mas no palco, soltava o gogó para fazer Coverdale sumir em alguns momentos. Isso pode ser sentido no disco ao vivo Made In Europe, gravado durante um show em abril de 1975, lamçado um ano depois. O baixista praticamente “engole” o vocalista com sua voz cheia de Soul e seus gritos estridentes.

No palco, a Mark III era mais energética do que no estúdio. Nos shows, costumavam fazer enormes improvisos instrumentais na hora do solo. Cortesia de Blackmore, Lord e Paice. Hughes cantava coisas como Georgia on My Mind de Ray Charles e Coverdale rasgava o verbo cantando sua Mistreated. Isso sem contar na frenética versão do line up para o velho clássico Smoke on the Water, onde Hughes e Coverdale alternavam os vocais. (c0nforme pode ser conferido em discos ao vivo da banda como Live In London).

Blackmore deixou o Purple tão logo terminou a turnê de Stormbringer e sua saída marcou o fim de uma era. Na verdade, ele já estava preparando seu vôo solo à revelia da banda. Ele fazia shows com a banda norte americana Elf, que ele e o ex-baixista Roger Glover conheceram ainda na época da Mark II. Gostaram do som deles e produziram um disco da banda, liderada pelo vocalista Ronnie James Dio, que ainda ia dar muito o que falar no futuro. Eles chegaram até a fzaer abertura para os shows do Purple nos EUA. O Elf se converteu na primeiríssima formação do Rainbow, outra banda que marcou época na história do Rock. Já o Purple, decidiu continuar em frente, chamando o guitarrista norte americano Tommy Bolin (nascido Thomas Richard Bolin no dia 1º de agosto de 1951 em Miami, Florida, EUA). Começava assim a Mark IV.

Mark III: momento de tensão no California Jam

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Arquivado em Biografias, Deep Purple, Música, Mestres do Metal, Rock and Roll

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