Deep Purple, parte 8: Mark IV e o fim

Em maio de 1975, a saída de Ritchie Blackmore, a exemplo do que tinha acontecido com o fim da Mark II, quase dois anos antes, deixou o Purple com uma incerteza: encerrar as arividades ou continuar com um novo guitarrista? Blackmore era o que podia se chamar o alicerce inconteste do som e da direção do Deep Purple. Os empresários da banda achavam que o Purple ainda tinha muita lenha pra queimar, apesar da perda significante de seu principal líder. Foi decidido, assim, pela continuidade com um novo músico.

O escolhido para a tarefa foi o guitarrista Tommy Bolin, que havia tocado na famosa James Gang, substituindo ninguém menos do que o talentoso Joe Walsh (que foi tocar no Eagles). Bolin tinha gravado um disco, Spectrum, com o baterista de Jazz Billy Cobham (Mahavishnu Orchestra), que se tornou credencial para sua entrada no Purple. Além disso, ele já tinha feito amizade com Glenn Hughes, após o baixista ter participado da sessões de seu primeiro álbum solo. Ele quebrou um paradigma na banda, sendo o primeiro integrante não britânico do Deep Purple. Quanto à sua entrada, existem dua hipóteses. Coverdale disse que tinha sido o único a defender que Bolin fizesse um teste e o próprio guitarrista disse que sua indicação teria sido recomendada por Blackmore. O fato é que com o novo membro, a Mark IV entrava em nigor e eles começaram a fazer sessões de estúdio para gravação de um novo álbum.

Em outubro de 1975, saiu o álbum Come Taste the Band, cujo título foi uma ideia de Hughes, após beber com o novo colega. O baixista teria dito a Bolin “Come taste the wine, come hear the band” [Tradução do Ed.: venha provar o vinho, venha ouvir a banda]. Na junção das duas frases, nasceu o nome do disco. Ali, a direção funkeada de Stormbringer estava mais presente e o guitarrista foi de grande ajuda para a concepção do trabalho. Os destaques são: Comin’ Home (Coverdale, Bolin, Hughes), Gettin’ Tighter (Bolin, Hughes), Drifter (Coverdale, Bolin) e o clássico You Keep on Movin’ (Coverdale, Hughes). O disco, produzido por Martin Birch, mostrou ter um caminho muito mais comercial que seus predecessores e depois mostrou ser o único registro dessa fase do Purple.

Veio, em seguida, uma turnê da nova formação que mostrou em seu percurso, as duras cobranças feitas pelos fãs da banda, que achavam que Bolin não estava à altura de Blackmore. Essa crítica ferrenha marcou o guitarrista, que se viu às voltas com o mesmo problema de quando substituiu Joe Walsh na James Gang, sentir-se a sombra do predecessor. Fora isso, Bolin começou a ter sérios problemas com o uso de drogas, que atrapalharam sua performance no palco. Isso pode ser sentido em discos ao vivo como o Last Concert in Japan. Hughes também estava no mesmo caminho das drogas e a dupla de viciados estava criando uma crise interna na banda.

Em março de 1976, depois de uma fatídica apresentação do Liverpool Empire, Coverdale desabafa com Lord que mão tinha mais clima para continuar na banda. O tecladista responde que não havia mais uma banda para continuar. Assim, foi decretado o fim do Deep Purple, que ironicamente acabou virando a rotatória musical (Roundabout) prevista por Chris Curtis nos primórdios. Lord e Paice eram os únicos membros da banda que tinham permanecido no barco, a despeito das inúmeras mudanças no line up. Naquele momento, o Purple estava dando seu canto do cisne.

Coverdale foi para a carreira solo e formou o David Coverdale’s White Snake (que depois se tornou o Whitesnake que todos conhecemos). Paice e Lord se uniram ao amigo o tecladista e cantor Tony Ashton no projeto Ashton, Lord & Paice. Glen Hughes após tentar uma reunião com sua antiga banda, o Trapeze e amargar umas bad trips, resolveu se desintoxicar e ficou uns anos fora de cena. O pior aconteceu com o talentoso e genial Tommy Bolin. Após gravar seu segundo e derradeiro disco solo, Private Eyes, ele foi encontrado morto, aos 25 anos de idade, no dia 4 de dezembro de 1976. Causa mortis: intoxicação com drogas. Uma era no Rock chegava assim a um trágico e triste final.

Mark IV: um início promissor e um fim trágico

Continua no próximo post

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