Deep Purple, parte 10: a volta triunfal da Mark II

Desde o fim do Purple em 1976, os desolados fãs da banda desejavam seu retorno e foram oito anos de boatos, desencontros e incertezas. Vê-los juntos seja no Rainbow (Ritchie Blamore e Roger Glover, onde quase contaram com Ian Gillan) e no Whitesnake (David Coverdale e Jon Lord e durante períodos distintos Roger Glover e Ian Paice) em determinados momentos enchia o coração dos Purplefans de esperança de pelo menos uma reunião amigável.Gillan e Paice estavam em projetos à parte de seus colegas, tendo sido chamado para cantar em outro membro da Santíssima Trindade do Metal, o Black Sabbath, onde gravou o álbum Born Again. Paice estava com a banda de Gary Moore.

Em 1984, a longa espera chegou ao fim quando os membros da formação clássica, a Mark II decidiu esquecer as diferenças e rusgas para voltar com todo o gás. Como dito acima, todos estavam tocando projetos pessoais e acharam atraente uma volta aos bons tempos de Purple, inclusive o arredio e temperamental Ritchie Blackmore, que assumiu a liderança.Pena pro Sabbath, que graças a Gillan tinha voltado ao topo e especulava um novo disco. Só que o coração do cantor bate pela banda que o projetou. Em agosto daquele ano, os cinco músicos voltavam ao estúdio para gravar material inédito, 11 anos após seu último disco juntos, Who Do We Think We Are. O resultado saiu em outubro no álbum Perfect Strangers, com produção de Roger Glover e do Deep Purple. Diferente do primeiro período (1969-1973), o set list tinha músicas assinadas por Blackmore, Glover e Gillan como a faixa título, Knockin’ at Your Back Door, Under the Gun e A Gypsy’s Kiss. Apenas Nobody’s Home tem a assinatura do consagrado quinteto.

Seguiu-se uma bem sucedida turnê que deixou os fãs extasiados ao extremo em ver seus herois de volta à ativa. No dia 14 de dezembro de 1984, na Austrália, eles contaram com uma canja muito especial: o ex-Beatles George Harrison, que subiu ao palco para tocar Lucille (Little Richard). No ano seguinte, na esteira da turnê do álbum a banda tocou num show que contava com os monstros sagrados do metal Scorpions e UFO, além de Meat Loaf num concerto do lendário Knebworth House, que foi palco de outro gigante, o Led Zeppelin nos anos 70. Foi o primeiro grande palco a receber o Purple em seu retorno. Curiosamente, além de classícos da banda, eles tocaram Dufficult to Cure (Blackmore, Glover, Don Airey, uma variação de Ode to Joy da Nona Sinfonia de Beethoven), um cover do Rainbow (ex-banda de Blackmore).

Depois seguiram-se outros shows a aparições em programas de TV. O retorno financeiro foi além do esperado, sendo uma das mais lucrativas turnês da história da banda. A banda foi convidada a participar do Live Aid mas Blackmore não quis. Caso o Purple aceitasse, a Santíssima Trindade do Metal tocaria num mesmo evento, já que o Led e o Sabbath participaram.

No final de 1986, a banda decidiu voltar ao estúdio para a gravação de um novo trabalho. O problema é que as velhas rixas pessoais que marcaram a Mark II nos anos 70 voltaram á tona e as sessões foram marcadas por tensões entre seus membros. Nenhum deles tem boas recordações disso. Gillan disse numa entrevista que embora tivesse boas músicas no disco, a banda parecia um time de futebol desentrosado. Algumas músicas tiveram que ser regravadas. O álbum The House of Blue Light foi lançado em janeiro de 1987 e teve um fraca repercussão, comparado aos trabalhos anteriores do Purple. Os créditos da maioria das músicas continuava com o trio Blackmore, Gillan e Glover como Mad Dog e Hard Lovin’ Woman. Outros destaques são Bad Attitude e Call of the Wild (ambas assinadas por Blackmore, Gillan, Glover e Lord).

A turnês de Perfect Strangers e House of Blue Light geraram o disco ao vivo Nobody’s Perfect, que foi lançado em junho de 1988. Em homenagem aos vinte anos da formação da banda naquele ano, no disco saiu uma faixa gravada em estúdio com o clássico Hush, cantada por Gillan. A música acabou entrando no repertório do Purple nos anos seguintes. Infelizmente, as tensões internas no Purple, bem como as relações pessoais e diferenças musicais entre Gillan e Blackmore culminaram na demissão do vocalista em 1989. A Mark II chegava ao fim mais uma vez.

Perfect Strangers: a volta do Purple em grande estilo

Continua no próximo post

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Arquivado em Biografias, Deep Purple, Música, Rock and Roll

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