Deep Purple: parte 11: a chegada da Mark V e a Mark II volta a atacar

Ian Gillan e Ritchie Blackmore sempre foram a alma do Deep Purple e no palco, a química perfeita entre seus integrantes, mais os duelos entre voz e guitarra eram as marcas registradas da Mark II. Só que os dois começaram uma relação de amor e ódio que culminou na saída de Gillan em 1973, o restabelecimento da amizade dos dois em 1978, a volta por cima em 1984 e a demissão de Gillan em 1989, embora muitos digam que o Silver Voice foi quem pediu o boné. A Mark II mais uma vez chegava ao fim e o cargo de vocalista estava vago.

Os candidatos ao lugar de Gillan eram muitos e Jimi Jamison do Survivor era o preferido da banda, mas ele recusou o convite para evitar problemas com sua gravadora. Fizeram ainda testes com Brian Howe (White Spirit, Ted Nugent, Bad Company), Doug Pinnick (King’s X), além dos australianos Jimmy Barnes (Cold Chisel) e John Farnham (Little River Band), Terry Brock (Strangeways, Giant) e Norman “Kal” Swann (Tytan, Lion, Bad Moon Rising). A “chefia” (leia-se Blackmore) fechou com o cantor Joe Lynn-Turner (nascido Joseph Arthur Mark Linquito no dia 2 de agosto de 1951 em Hackenshak, Nova Jersey, EUA) segundo norte americano a integrar a banda (depois de Tommy Bolin da Mark IV), que havia sido frontman do Rainbow (1980-1984) e tinha uma boa relação com o guitarrista do Purple. Depois do fim do Rainbow, tentou lançar carreira solo e estava trabalhando na banda Rising Force do guitarrista sueco Yingie Malsmteen quando foi chamado para o posto.

O Deep Purple entrava na década de 90 com uma nova formação, a Mark V e lançou em outubro de 1990 o álbum Slaves and Masters, outra produção de Roger Glover. As músicas eram assinadas em sua maioria pela trinca Blackmore, Glover & Turner (King of Dreams, Truth Hurts) e outras por Blackmore, Glover, Lord, Paice & Turner (The Cut Runs Deep, Fire in the Basement). O disco fez um sucesso bem modesto, chegando até a ocupar o 87º lugar nas paradas Hot 100. Também foi muito criticado pelos fãs, que o chamavam ironicamente de “Deep Rainbow” ou “álbum do Rainbow feito por membros do Purple”.

Contudo, a turnê do disco foi um grande sucesso de público e de arrecadação financeira. A razão do êxito era performance impecável do grupo e a presença de palco de Turner. Além disso, o Purple estava tocando coisas da Mark I (Hush, Hey Joe), Mark III (Burn), o clássico do Rainbow Long Live Rock and Roll (inserida entre os clássicos da Mark II Child in Time e Black Night) e outras músicas antigas que há muito não eram executadas. Foi com essa formação que o Deep Purple aportou em terras brasileiras em 1991, tocando em quatro cidades (São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba e Porto Alegre). Não existe até o momento registro oficial da performance ao vivo da Mark V.

Com o fim da turnê em 1992 e após críticas cada vez mais ácidas, Lord, Glover e Paice, contando com o respaldo da gravadora Purple Records pressionou Blackmore para que aceitasse a volta de Gillan. O guitarrista aceitou o pedido e após embolsar US$ 250.000 como parte de um acordo, aceitou a dispensa de Turner. Isso em meio às gravações do novo álbum, que contava com a colaboração do vocalista. O bom filho à casa tornou e a Mark II voltou.

Em julho de 1993, resolvida a questão interna e depois da reformulação das músicas constantes das sessões de gravação (colaborações que Turner teria deixado prontas) para os trabalhos com Gillan, o álbum The Battle Rages On foi lançado. Seguia o mesmo esquema do último da Mark II, ou seja, a maioria das músicas do set list constavam assinadas por Blackmore, Glover e Gillan (Lick It Up, Time to Kill), pelo quinteto (a música título e Talk About Love) e o carro-chefe do disco Anya (Blackmore, Gillan, Glover & Lord), que estourou nas rádios dos EUA e do Brasil. Só que Blackmore começou a não gostar da sonoridade não melódica que o Purple estava abraçando. Em novembro, fim de papo: o guitarrista deixou o Purple após uma bem sucedida turnê europeia, sendo substuído pelo guitar hero Joe Satriani (nascido Joseph Satriani em 15 de julho de 1956 em Westbury, Nova York, EUA), terceiro norte americano a bordo, muito inspirado no estilo de Blackmore.

Mark V: chamada pejorativamente de Deep Rainbow

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Arquivado em Biografias, Deep Purple, Música, Rock and Roll

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