Grandes Nomes do Rock: Blood, Sweat & Tears, parte 2

O Blood, Sweat & Tears foi formado em 1967 a partir de ideias compartilhadas entre o tecladista Al Kooper e o produtor James Guercio sobre uma banda de Rock com um naipe de metais igual à britânica The Buckinghams. A partir de um quarteto formado com Steve Katz, Jim Felder e Bobby Colomby, houve a adesão dos sopristas Fred Lypsius (sax), Randy Brecker, Jerry Weiss (trompetes) e Dick Halligan (trombone), que acabou dando forma à banda. Depois de uma série de shows no lendário Cafe Au Go Go, o ensemble chamou a atenção da gravadora Columbia Records e gravou no ano seguinte seu primeiro álbum Child is Father of the Man. Num dado momento, Katz e Colomby sugeriram que Al Kooper tocasse apenas os teclados e que procurassem um vocalista. Kooper não concordou com as mudanças e saiu para se dedicar à produção na gravadora. Os trompetistas também saíram para as entradas de Lew Solloff e Chuck Winfeld e o trombonista Halligan foi remanejado para os teclados, sendo subsituído na função original por Jerry Hyman. Na qualidade de líderes da banda, o guitarrista e o baterista do BS&T começaram a procurar um frontman.

Depois de pensarem nos nomes de Stephen Stills (líder do Buffalo Springfield) e Laura Nyro (ela acabou compondo algumas músicas para o grupo), Steve e Katz receberam uma recomendação da cantora Folk Judy Collins, uma grande amiga dos dois, para verem a performance de um tal de David Clayton-Thomas (nascido David Henry Thomset no dia 13 de setembro de 1941 em Kingston Upon Thames, Surrey, Inglaterra). Segundo ela, a interpretação do cantor arrancou-lhe lágrimas de emoção. Os dois foram conferir ao vivo uma apresentação de David e viram que a amiga não estava exagerando. O cantor tinha o que a banda precisava, boa interpreação, vigor e carisma. Foi feito um convite formal e Clayton-Thomas aceitou.

Nesse mesmo ano e de formação nova, o BS&T gravou seu segundo álbum para a Columbia, Blood, Sweat & Tears [meu álbum favorito!]. James Guercio, que já estava atuando na condição de empresário da banda Chicago, foi chamado para produzir o disco. Entre as músicas, destacam-se os clássicos God Bless the Child (Billy Holiday, Arthur Hertzog Jr.), And When I Die (Laura Nyro), Spinning Wheel (David Clayton-Thomas) e a emocionante e imortal versão da banda para You Made Me só Very Happy (Berry Gordy, Brenda Holloway, Patrick Holloway, Frank Wilson), originalemente catada por Brenda Holloway. Também se destaca Blues, parte II, uma composição assinada pelo BS&T que tem trechos dos clássicos do Rock Sunshine of Your Love (Cream) e do Blues Spoonful (Etta James). O disco chegou ao primeiríssimo lugar na Billboard e em 15º nas paradas britânicas. Ganhou o Grammy de Melhor Álbum do Ano em 1969, superando até o fabuloso Abbey Road dos Beatles. Além disso, tornou-se um dos trabalhos essenciais do Rock de todos os tempos, um verdadeiro clássico! Até os singles extraídos disputaram entre si a primeira e a segunda colocação nos charts. Por conta da repercussão, o BS&T foi convidado a tocar no lendário Festival de Woodstock na condição de atração principal.

Em 1969, a ausência de Al Kooper ainda se fazia sentir, já que ele era o contato da banda com a cena da contracultura na época. Um convênio com o Departamento de Estado dos EUA para uma turnê no ano seguinte pelo Leste Europeu fez com que fossem vistos com indiferença e até foram ridicularizados pela comunidade de músicos norte americanos. Numa época em que a maioria dos artistas do país eram contrários ao governo por conta da participação dos EUA na Guerra do Vietnã, essa associação pegava muito mal para o BS&T.

Em 1970, de volta aos EUA, a banda gravou e lançou o álbum Blood, Sweat & Tears 3, assim chamado por ser o terceiro da banda, considerando importante o álbum da gestão anterior. Bobby Colomby dividiu a tarefa de produzir o disco com Roy Halee. Destacam-se no álbum os clássicos do BS&T Hi De Ho (Gerry Goffin, Carole King) e Lucretia McEvil (Clayton-Thomas), Symphony for the Devil (Dick Halligan), interligada ao clássico dos Rolling Stones, Sympathy for the Devil (Mick Jagger, Keith Richards), He’s a Runner (Laura Nyro) e um cover do Traffic, Forty Thousand Headmen (Stevie Winwood, Jim Capaldi). A exemplo do álbum anterior, este disco arrebatou a primeira posição nos charts da Billboard e seus singles figuraram no Top 20. Apesar de todo o êxito, o BS&T ainda estava com a fama de “queridinhos do governo” e a crítica caiu de pau falando mal do álbum, por causa do uso de covers em detrimento de material próprio como forma de empurrar as vendas.

O segundo álbum: estreia de David Clayton-Thomas

Continua no próximo post

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