Grandes Nomes do Soul: Booker T. & The MG’s, parte 2

o organista/pianista Booker T. Jones começou a trabalhar como músico profissional na Stax Records em 1960 aos 16 anos, quando conheceu o guitarrista Steve Cropper, que trabalhava como vendedor numa loja de discos e tocava na banda The Mar-Keys, que fez sucesso com a música Last Night. Cropper foi contratado pela Stax em 1961 e ele e Booker T. costumavam fazer uns sons paralelamente ao trabalho como músicos de estúdio junto com o baixista Lewie Stenberg e o batera Al Jackson Jr. O presidente da Stax gostou da banda, que foi batizada como Booker T. & The MG’s. Depois de acompanhar Carla Thomas em seu clássico Gee Whiz em 1961, no ano seguinte, a banda fez seu début fonográfico no single Green Onions, que foi um grande sucesso. Os outros singles lançados no ano seguinte e em 1964, não obtiveram o mesmo êxito. Participaram das sessões de gravação do clássico de Rufus Thomas, Walking the Dog.

Em 1965, a banda gravou seu segundo álbum pela Stax Soul Dressing, que a exemplo do anterior, foi produzido pelo presidente da Stax, Jim Stewart. O foco neste álbum está em músicas do quarteto que figuraram nos inexpressivos singles gravados em 1963 e 1964. Só há um cover no álbum, Mercy Mercy de Don Covay, que contou com os músicos de apoio Wayne Jackson (trompete), Floyd Newman (sax barítono) e Charles “Packy” Axton (sax tenor).  Nesse ano, o baixista Lewie saiu da banda alegando que não existia mais química com os colegas. Para seu lugar veio o competente baixista Donald “Duck” Dunn (nascido no dia 24 de novembro de 1941 em Memphis, Tennessee, EUA), amigo de infância de Cropper e colega dele no The Mar-Keys, que chegou a participar das sessões do álbum. Vieram os singles Boot-Leg/Outrage (10º lugar nos charts de R&B), Be My Lady/Red Beans and Rice (18º nos mesmos charts).

Em 1966, foi lançado o terceiro álbum dos MG’s And Now!, com produção de Yves Beauvais, voltando a ter mais covers do que originais como em Green Onions. As únicas composições do quarteto no disco são My Sweet Potato e Soul Jam. As outras são maravilhosas versões de clássicos como In the Midnight Hour (Wilson Pickett),  Working in a Coalminne (Lee Dorsey) e Summertime (George Gershwin) do musical Porgy & Bess. Booker T. se formou nesse ano e então pôde direcionar sua atenção à banda integralmente. Nesse mesmo ano, a banda participou, junto com outros músicos de estúdio da Stax de clássicos como Hold On I’m Coming (Sam & Dave) e In the Midnight Hour (Wilson Pickett), entre outros. Nesse ano, gravaram seu primeiro álbum de Natal, In the Christmas Spirit, produzido pela própria banda e recheado de clássicos natalinos ao melhor estilo MG como Jingle Bells, Santa Claus is Coming to Town, Silent Night, White Christmas e We Wish You a Merry Christmas, entre outras pérolas.

Em 1967, a banda gravou o álbum Hip Hug Her, outra produção própria, trabalho que figurou no Top 40 das paradas. Nos charts de R&B, o disco e seus singles correlativos ficaram no Top 10 (sendo que o single Hip Hug Her/Summertime ficou em 4º lugar). Desntre as músicas do álbum destaca-se a faixa título, Groovin’, cover dos Young Rascals lançado como sungle que ficou em 10º lugar na parada Black, Get Ready (cover dos Temptations de autoria de Smokey Robinson) e Sunny (cover de Bobby Hebb). Nesse ano, os MG’s participaram a primeira turnê europeia do cast da Stax (chamada Hit the Road Stax) e foram a banda de apoio do grande Otis Redding no lendário Festival Monterey Pop e, como de praxe, tocaram em clássicos da Stax como Soul Man (de Sam & Dave), I’ve Been Loving You Too Long (To Stop Now) e Try a Little Tenderness (de Otis Redding), acompanhados da excelente seção de metais da gravadora. Emendaram seu primeiro álbum ao vivo, Back to Back, contando com o fenomenal naipe de metais do The Mar-Keys (banda da qual Steve e Donald fizeram parte), formado por Wayne Jackson (trompete), Joe Arnold (sax contralto) e Andrew Love (sax tenor). O set list conta com músicas dos álbuns anteriores e a versão da banda para clássicos como Gimme Some Lovin’ (cover do Spencer Davis Group), Philly Dog (Rufus Thomas) e Last Night (sucesso máximo do The Mar-Keys).

Em 1968, veio Doin’ Our Thing, produzido pela banda, bem eclético recheado de músicas bem Soul como You Keep Me Hangin’ On (The Supremes) e Let’s Go Get Stoned (Ashford & Simpson), juto com alguns sucessos do Rock and Roll como Never My Love (The Association) e The Beat Goes On (Sonny & Cher) e a clássica The Exodus Song (tema do filme Exodus). No mesmo ano veio outro disco clássico dos MG’s (e da história do Soul) Soul Limbo, maravilhoso disco com a versão dos MG’s para o clássico dos Beatles Eleanor Rigby e a faixa título, além de destaques como La-La Means I Love You (grande sucesso dos Delfonics), Foxy Lady (clássico de Jimu Hendrix) e Born Under a Bad Sign (composição de Booker T. em parceria com William Bell gravada pelo sensacional Albert King).

Em 1969, foi a vez do álbum Up Tight!, trilha sonora do filme homônimo (lançado no Brasil como O Poder Negro), dirigido por Jules Dassin, um remake adaptado de The Informer (O Delator no Brasil) de John Ford, que contou com os atores Raymond St. Jacques e Ruby Dee nos papeis centrais. São vários temas incidentais compostos pela banda e Children Don’t Get Weary (Frank Williams), uma música cantada por Judy Clay. Do disco foi tirado o single Time is Tight, cujo lado B Johnny I Love You figurou no Top 10 das paradas. No mesmo ano, veio Booker T. Set, mostrando o quanto a banda (em especial Booker T e Donald Dunn) eram fãs dos Beatles, pois duas músicas do quarteto inglês fizeram parte do set list do disco: Michelle e Lady Madonna. Além dessas, destacam-se as versões para Light My Fire (The Doors), Love Child (Supremes), Sing a Simple Song (Sly & The Family Stone), It’s Your Thing (Isley Brothers) e Mr. Robinson (Simon & Garfunkel)

Continua no próximo post

Soul Limbo

Soul Limbo: clássico do Soul Instrumental

 

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Arquivado em Biografias, Grandes Nomes do Soul, Música, Soul e R & B, The Beatles

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