Grandes Nomes do Soul: Booker T. & The MG’s, parte 3

Depois do sucesso arrebatador de Green Onions, os MG’s não emplacaram nos charts, apesar de álbuns maravilhosos como Soul Dressing (1965) e And Now! (1966), mas contribuíram para que os artistas do cast da Stax fizessem sucesso com hits como In the Midnight Hour (Wilson Pickett), Soul Man e Hold On I’m Coming (Sam & Dave), Try a Little Tenderness e I’ve Been Lovin’ You too Long (Otis Redding), entre outros. No fim de 1966, gravaram o disco natalino In the Christmas Spirit. Em 1967, voltaram às paradas com Hip Hug Her, ficando no 10 Ten. Fizeram uma turnê junto com o cast da Stax e acompanharam o cantor Otis Redding no Festival Monterey Pop. Gravaram seu primeiro álbum ao vivo Back to Back junto com o naipe de metais do The Mar-Keys. Em 1968, veio  Doin’ Our Thing e no ano seguinte, forma lançados Up Tight (trilha sonora) e o clássico do Soul Instrumental Soul Limbo.

Em 1970, o fascínio e a tietagem dos MG’s pelos Beatles foram escancarados com o fabuloso álbum McLemore Avenue, uma alusão ao clássico álbum dos Fab 4 Abbey Road, já que esse era o endereço do estúdio da Stax em Memphis, Tennessee. A recíproca era verdadeira e John Lennon era fã incondicional dos MG’s, fazendo um trocadilho, chamando-os de Book a Table and the Maitre D’s. Donald admirava o estilo harmonioso de tocar do baixista Paul McCartney e reza a lenda que quando os MG’s estiveram na Inglaterra durante a turnê Hit the Road Stax de 1967, os Beatles agiram como grandes anfitriões, mandando limousines para servir Booker T. e sua turma. Como já deu pra notar, o disco é totalmente calcado no álbum Abbey Road dos Beatles, inclusive os dois clássicos de George Harrison Something e Here Comes the Sun. Em 2011, o disco foi relançado contendo outras pérolas dos Fab 4 como You Can’t Do That e Day Tripper. Outro fato que ligava as duas bandas é a composição do quarteto inglês 12-Bar Original de 1965 que é calcada em Green Onions e não havia sido lançada oficialmente até 1996, quando saiu o Beatles Anthology 2.

Outra banda de quem os MG’s eram admiradores era o Creedence Clearwater Revival, com quem fizeram uma jam session em 1970. A influência de Booker T. no som do CCR é evidente no álbum Pendulum (1970), com o uso do órgão Hammond B3, característico da sonoridade de Booker T. & The MG’s, especialmente em clássicos de John Fogerty e sua turma como Have You Ever Seen the Rain(Wish I Could) Hideaway.

Em 1971, as mudanças na diretoria da Stax fizeram com que Booker T. começasse a se estranhar com o novo presidente da companhia Al Bell, que diferente de seu antecessor, tratava os músicos como meros empregados, o que revoltou o organista. Em meio às sessões do novo álbum, Booker T. e Steve Cropper, cansados desse descaso por parte da diretoria, saíram da gravadora. Não sem antes de deixarem pronto o disco Melting Pot, o canto do cisne dos MG’s na Stax, o único que não foi gravado em Memphis, sendo concluído em Nova York, no estúdio de Steve. Os destaques do álbum são a faixa título, Kinda Easy Like, L.A. Jazz Song e Hi Ride. Contaram com a participação do grupo vocal The Pepper Singers nos vocais de apoio. O álbum até teve boa receptividade e ótimas críticas, mas marcou o fim de uma era.

Depois de dois anos, os remanescentes da banda Duck e Al, ainda empregados da Stax, resolveram recrutar novos integrantes para o lugar de Booker T. e Steve. Para o órgão foi chamado Carson Whitsett (nascido no dia 1º de maio de 1945 em Jacksonville, Mississipi, EUA) e para a guitarra veio Bobby Manuel (nascido Robert Manuel em Memphis, Tennessee). Eles gravaram o álbum The MG’s, produzido por Dunn e Jackson Jr. Os destaques são as músicas Sugar Cane, Neck Bone (ambas lançadas em single), Black Side e Frustration. Em termos de vendas o disco foi um fracasso mas foi muito elogiado pela crítica. Como era de se imaginar, esta formação dos MG’s não durou muito.

Em 1975, em meio a projetos próprios, os amigos Booker T. e Steve começaram a voltar a se aproximar de seus colegas Duck e Al. Foi cogitado, inclusive uma retorno da festejada formação original dos MG’s em toda sua glória. Mas os quatro companheiros primeiro biscaram finalizar trabalhos pendentes e aí então, começaram a planejar a volta triunfal da banda. Infelizmente, uma tragédia se abateu sobre os MG’s. No dia 1º de outubro de 1975, o sempre brincalhão e camarada Al Jackson Jr. foi morto por ladrões que haviam invadido sua residência. Os intrusos pediram que o músico ficasse de joelhos e efetuaram cinco disparos a queima-roupa em suas costas, fugindo logo depois. O que a polícia estranhou foi que os bandidos não levaram nada de valor. Há quem diga que ele foi morto a mando de sua esposa Barbara Jackson, de quem ele já havia levado um tiro no peito anteriormente e de quem estava em processo adiantado de divórcio. Morria assim, um dos melhores bateristas de todos os tempos, chamado pelos colegas de “Metrônomo Humano” por sua habilidade inata na bateria.

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MacLemore Avenue: um tributo aos Beatles

 

Conclui no próximo post

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