Grandes Nomes do Soul: Earth, Wind & Fire, parte 3

Em 1972,  a debandada dos músicos do EW&F mediante diversos compromissos fez com que Maurice White e seu irmão Verdine White, únicos remanescentes recrutassem um novo pessoal, entre os quais o cantor e percussionista Phillip Bailey, que faria parte da formação clássica da banda. A banda acabou sendo dispensada pela Warner Brothers e assinou com a Columbia Records, onde gravaram os álbuns Head to the Sky (1973) e Open Your Eyes (1974), que deram muito mais visibilidade à banda no mercado fonográfico dos EUA. Depois desse último trabalho, aconteceu nova mudança na formação.

Em 1974, graças à excelente repercussão do álbum Open Your Eyes, a banda recebeu inúmeras propostas de shows, dentre os quais o antológico festival California Jam. Dividiram o holofote como atração principal com feras do porte de Seals & Croft, Black Sabbath, Eagles e Deep Purple. O show contou com o público de 200.000 pessoas. Nesse mesmo ano, o EW&F colaborou com Ramsey Lewis, velho conhecido de Maurice no álbum Sun Goddess, produzido por Lewis, White e Teo Macero, com destaque para a faixa título (composta por Maurice com Jon Lind). O disco teve uma ótima repercussão, ficando em primeiro lugar nos charts de R&B e Jazz e 12º dos charts Pop da Billboard. Saiu em setembro de 1974 a primeira coletânea da banda, Another Time, um álbum duplo, mostrando a trajetória da banda até aquele momento.

Em 1975, a banda gravou a trilha sonora do filme That’s the Way of the World, produzido por Sig Shore, que havia trabalhado no clássico do Blaxpoitation, Superfly. O disco, que contou com a produção da dupla White & Stepney, é recheado de clássicos do EW&F como a faixa-título (Charles Stepney, Maurice White, Verdine White), a dançante Shining Star (Phillip Bailey, Maurice White, Larry Dunn), a linda balada Reasons (Bailey, Stepney, M. White) [N. do Ed., para mim é um dos mais belos clássicos do Soul na voz maravilhosa de Phillip Bailey] e Africano (Dunn, White). O filme, que faz uma crítica corrosiva da indústria fonográfica, foi um fracasso, mas o álbum teve ótimo desempenho nas paradas. Ficou em primeiro lugar absoluto nos charts de R&B e Pop da Billboard, um grande feito. Os singles do disco também tiveram boa performance figurando nos primeiros ligares do Top 20. Além disso, a banda arrebanhou seu primeiro Grammy de Melhor Banda de Funk. Era o começo da aclamação mundial do EW&F.

Nesse mesmo ano, a banda gravou o álbum duplo Gratitude, que conta com vários shows ao vivo e algumas gravações em estúdio. Foi outra magistral produção da dupla White & Stepney junto com o velho conhecido do DW&F Joe Wissert (que produziu os shows ao vivo). A banda contou com o excelente naipe de metais The Phenix Horns, composto pelo saxofonista Don Myrick (nascido Donald Myrick no dia 6 de abril de 1940), Louis Satterfield (trombone) e os trompetistas Rahmlee Davis e Michael Harris. Dentre as faixas gravadas no estúdio, que figuraram em singles estão a efusiva e poderosa Sing a Song (Al McKay, Maurice White) e a deliciosa Can’t Hide Love (Skip Scarborough). A versão ao vivo de Reasons mostra uma interessante improvisação com o “duelo” entre a voz de Phillip Bailey e o sax de Don Myrick. Não deu outra: primeiro lugar nas paradas R&B e Pop do ano seguinte e mais Grammies para a coleção da banda, além de sua primeira turnê européia. Maurice criou a Kalimba Productions, onde passou a produzir artistas como Deniece Williams, Emotions e Barbra Streisend.

Em 1976, foi lançado o álbum Spirit, derradeiro trabalho que contou com a co-produção de Charles Stepney que infelizmente faleceu no dia 17 de maio de 1976, aos 43 anos, após um ataque cardíaco fulminante, em meio às sessões do disco. Larry Dunn e Maurice White escreveram a faixa título em sua homenagem, ainda em vida, como forma de agradecimento por tudo o que fizera pela banda. Só que o querido e saudoso Charles não teve tempo de ouvir essa pérola. Outros clássicos da banda também figuram no disco como Getaway (Peter Cor, Beloyd Taylor), Imagination (Stepney, M. White, Bailey) e Saturday Nite (M. White, Bailey, McKay). O trabalho ficou em 2º lugar nas paradas de R&B e Pop e os singles figuraram no Top 30 da Billboard. Durante esse tempo começaram a fazer grandiosos shows ao vivo utilizando recursos como pirotecnia, raios laser, uma pirâmide gigante, roupas coloridas e exóticas (que passariam a ser marca registrada da banda) e um mágico praticando levitação. O responsável pelos truques era o ilusionista Doug Henning, cujo ajudante, David Copperfield faria um enorme sucesso nas décadas seguintes.

Em 1977, saiu o álbum All’n’All, produzido por Maurice White através da Kalimba Productions, com uma maravilhosa capa cheia de elementos do Egito Antigo, de autoria de Shisei Nagaoka. Os destaques são os clássicos do EW&F Fantasy (M. White, V. White, Eduardo Del Barrio), Serpentine Fire (M. White, V. White, Reginald “Sonny” Burke), Love’s Holiday (M. White, S. Scarborough) e Jupiter (M. White, V. White, Dunn, Bailey), além de duas músicas de autoria brasileira, Beijo (Toninho Horta) e Ponta de Areia (Milton Nascimento), que receberam o nome de Brazilian Rhymes. Além de ficar em ótima posição nos charts da Billboard (1º em R&B, 3º em Pop), foi o primeiro trabalho da banda a figurar na parada do Reino Unido (em 13º lugar). O singles também tiveram boa aceitação, ficando no Top 20 (EUA) e Top 100 (RU).

Earth Wind & Fire – All ‘n All

A capa do álbum All’n All

Continua no próximo post

Deixe um comentário

Arquivado em Biografias, Grandes Nomes do Soul, Jazz, Música, Soul e R & B

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s