Gêneses do Rock Brasileiro: Introdução

“O Rock and Roll chegou para ficar”. Assim diz um clássico do grupo vocal Danny & The Juniors exaltando o Rock. A Primeira Onda tomou conta do planeta e o Brasil não foi indiferente a essa revolução. A partir deste post, começa a série Gêneses do Rock Brasileiro, tratando das primeiras décadas de existência desse rítmo quase sessentão.

Historicamente, o Brasil sempre foi receptivo às manifestações culturais externas. Desde sua colonização, diversos estilos musicais aqui deram o ar da graça e até contribuíram para o desenvolvimento da musicalidade própria. Para cá vieram as músicas folclóricas de Portugal, as valsas vienenses, a sonoridade barroca e os ritmos africanos. Nasceram assim, o chorinho, os lundus, as congadas, os reisados e o estilo musical que é marca registrada no País, o Samba, que também se desdobrou em vários subgêneros no século XX, como as marchinhas carnavalescas e o samba-canção, também chamado “dor de cotovelo”.

Quando os EUA começaram a sua política da boa vizinhança junto aos países da América Latina lá pelos idos dos anos 40, em plena Segunda Guerra Mundial, o Brasil tornou-se então consumidor da Indústria Cultural norte americana, algo que os nacionalistas mais convictos, opositores da influência da Pax Americana, chamavam de “Imperialismo Ianque”Um dos primeiros produtos da Indústria Cultural, aqui absorvidos, foi o cinema. Hollywood 

já era considerada à época, a capital mundial da Sétima Arte. Graças a isso, o Brasil viu surgir a gloriosa cena dos Estúdios da Compahia Cinematográfica Atlântida com as primeiras grandes estrelas nacionais como a dupla Oscarito e Grande Otelo, Eliana Macedo, entre outros. No campo da música, o Fox-trot e o Swing das chamadas Big Bands fizeram seu dèbut em terras brasileiras, embora não houvesse intérpretes nacionais. As Histórias em Quadrinhos também marcaram presença junto ao público infanto-juvenil.

Em 1955, aconteceu nos EUA o surgimento do Rock and Roll, que nada mais era do que a música que os negros já tocavam e dançavam desde o fim dos anos 40, chamada de Rhythm and Blues, uma variação do Blues um pouco mais pulsante e dançante, com letras consideradas ofensivas e imorais para os padrões da época. Anos antes, o disc jockey Allan Freed havia se encarregado de rebatizar o estilo como Rock and Roll, a fim de escapar dos pais conservadores e mais exaltados.

A partir de filmes como “Juventude Transviada” e “Vidas Amargas”, os mais jovens passaram a ter em James Dean, figura com pose de rebelde, seu ídolo. Outro filme que praticamente arrebatou os corações da juventude norte americana foi “Sementes da Violência” (“Blackboard Jungle” no original), que tinha como temática o embate entre um professor e seus alunos indisciplinados. O plot da película ficava em segundo plano, pois os rapazes e moças queriam mesmo era ouvir a música que tocava no fim dos créditos, “Rock Around the Clock”, música tocada por Bill Haley e seus Cometas que fez um fenomenal sucesso em todo o país, fazendo surgir assim, a Primeira Onda do Rock.

Haley apenas preparou caminho para o verdadeiro furacão que iria arrasar o continente: Elvis Presley. Foi a partir de sua figura jovem e dançante e sua voz forjada no sentimento da música negra que o Rock marcou sua presença, inaugurando de vez a Primeira Onda. Na esteira dele, vieram outros ídolos da molecada: Chuck Berry, Buddy Holly, Jerry Lee Lewis, Eddie Cochran, entre muitos outros. O Rock acabou se tornando um vantajoso produto da Indústria Cultural e logo começou a ser irradiado ao Velho Continente e à América Latina, chegando ao Brasil.

Blackboard jungle

Sementes da Violência: filme cuja trilha sonora iniciou a Primeira Onda do Rock

Fontes:

Wikipedia

Ensaio: Os Primórdios do Rock no Brasil por Andre de Oliveira

Rock Brasileiro 1955-65: trajetórias, personagens e discografia por Albert Pavão

 

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