Gêneses do Rock Brasileiro: Primeiras manifestações locais

Para não perder o “fio da meada”, leia os posts anteriores aqui e aqui.

Em 1957, alguns compositores brasileiros começaram a se acostumar com o ritmo norte-americano e um deles, Miguel Gustavo escreveu “Rock and Roll em Copacabana”, gravado e cantado por Coby Dijon (Cauby Peixoto), sendo o primeiro Rock 100% brasileiro. Na esteira vieram algumas versões de originais norte-americanos como Até Logo, Jacaré” (See You Later Alligator”), de Júlio Nagib, cantado por Agostinho dos Santos. Até o conhecido autor de sambas e marchas Assis Valente compôs um Rock, que foi cantado por Grande Otelo num filme. O cantor Carlos Gonzaga, conhecido por interpretar boleros e guarânias se rendeu ao Rock, cantando Meu Fingimento”, versão de Haroldo Barbosa para The Great Pretender” do grupo vocal The Platters. Gonzaga se tornaria um dos expoentes da Primeira Onda do Rock Brasileiro, que entraria em vigor no ano seguinte.

O cantor e guitarrista Betinho se notabilizou por ter formado a primeira banda de Rock do país, gravando Enrolando o Rock, música que foi usada no filme “Absolutamente Certo”, dirigido por Anselmo Duarte. Numa das cenas mais antológicas, Betinho e Seu Conjunto interpretam sua música enquanto casais dançavam freneticamente. O cinema nacional começava a se render ao Rock and Roll. No Rio de Janeiro, o produtor e empresário Carlos Imperial criava o Club do Rock, formado por cantores, dançarinos e aficcionados que fez uma aparição na chanchada da Atlântida De Vento em Popa”, filme onde o impagável Oscarito ataca de Alves Prestes”, uma antológica imitação de Elvis Presley. Imperial conseguiria levar a ideia para um programa de rádio que faria muito sucesso em 1958.

Um dos problemas enfrentados pela indústria fonográfica nacional era a falta de representatividade de gravadoras estrangeiras. O jeito foi importar sucessos feitos nos EUA e na Europa para serem interpretados por artistas nacionais (os famosos covers”). Um dos exemplos dessa tendência foi a cantora Lana Bittencourt, que gravou Little Darling, sucesso do grupo vocal The Diamonds. O saxofonista Bolão e seu conjunto Rockettes, se tornou especialista nesse estilo. Ainda não havia teen idols, sendo os Rocks sempre interpretados por cantores da chamada Velha Guarda. Mas esse ânimo inicial foi esfriando e esses veteranos começaram a deixar o Rock de lado.

Tudo conspirava a favor do Brasil no ano de 1958. Vivíamos ainda sob os auspícios da gestão de Juscelino Kubitschek, o Brasil ganhava sua primeira Copa do Mundo nos campos da Suécia, fazendo surgir um novo ídolo do futebol, Edson Arantes do Nascimento ou Pelé. A Bossa Nova surgia a partir de uma sessão de gravação que contou com o compositor e pianista Tom Jobim, seu parceiro Vinícius de Morais e o violonista e cantor João Gilberto para a gravação do disco Chega de Saudade”.

O Rock brasileiro começava a sair das sombras, a partir da inspiração de músicos que assistiram ao filme Ao Balanço das Horas e que começaram a formar conjuntos musicais. É o caso de The Jordans, grupo que surgiu na Zona Leste de São Paulo e que seria um dos principais nomes do Rock primevo. Ao mesmo tempo, no Rio de Janeiro, surgia a Turma do Matoso, um bando de jovens aficcionados em Elvis Presley e no Rock and Roll que se reuniam para ver filmes, namorar, tocar e cantar.  Segundo Paulo César de Araújo escreveu em seu livro “Roberto Carlos em Detalhes”:

“O pessoal se reunia então em frente ao Bar Divino, na esquina da Rua do Matoso com Haddock Lobo, próximo ao Cinema Madri e ao Instituto Lafayette. Espécie de Memphis do rock nacional, aquela esquina da Tijuca atraía garotos como Tim Maia, Erasmo Carlos, Jorge Ben (que nos anos 90 mudou o nome para Jorge Benjor), Lafayette, Wilson Simonal,Arlênio Lívio, Luiz Ayrão, futuros Blue Caps como Renato e Paulo César Barros, futuros Fevers como Luiz Carlos e Liebert Ferreira… Raul Seixas não andava por ali porque morava na Bahia, mas logo, logo alguém que vivia mais perto, um capixaba chamado Roberto Carlos, estaria se enturmando naquele clube da esquina carioca – ou quase americano – ARAÚJO. Paulo César de. Roberto Carlos em detalhes. p. 51. Versão digital. São Paulo: Planeta, 2006. 

Carlos Gonzaga, que havia tomado gosto pelo Rock no ano anterior, gravou seu maior sucesso, Diana (versão da original homônima composta por Paul Anka).Essa gravação lançou um versionista que se tornaria o principal do nosso rock: Fred Jorge.

Fontes:

Ensaio: Os Primórdios do Rock no Brasil por Andre de Oliveira

Rock Brasileiro 1955-65: trajetórias, personagens e discografia por Albert Pavão

Betinho e Seu Conjunto, a primeira banda de Rock do Brasil

Betinho e Seu Conjunto, a primeira banda de Rock do Brasil

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