Gêneses do Rock Brasileiro: a primeira cena Rocker do Brasil

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Um dos momentos mais importantes da Primeira Onda no Brasil aconteceu em março de 1958, quando o acordeonista e maestro Mário Gennari Filho entregou a Tony Campelo, crooner do conjunto Ritmos OK, de Taubaté (cidade do interior de São Paulo), duas canções para serem gravadas. “Forgive Me” e “Handsome Boy”, seriam inicialmente interpretadas pela cantora-compositora Celeste Novais. Tony não viu problemas em cantar a primeira música, mas quanto à segunda (“rapaz charmoso”), não pegava bem ser cantada por um homem. Foi aí que teve a ideia de chamar a irmã Célia, que teve o nome mudado para Celly, para interpretá-la. O compacto dos irmãos Campelo foi um enorme sucesso e os jovens se apaixonaram pela voz doce e singela de Celly.

A onda dos “covers”, músicas originais em inglês gravadas por cantores brasileiros, chegava ao seu apogeu:

Ainda nesse ano, surgem os cariocas Golden Boys (tirado de Roy Hamilton, o golden boy?) com Wake up little Susie (Copacabana) e Lana Bittencourt segue sua trilha de sucessos com Love me forever (também cantado por Dolores Duran) e outros calypsos rock, a nova moda. Aliás, segundo dizem, Lana chegou a entrar nas “100 mais” da revista americana “Cash Box” nos Estados Unidos, com Little Darling. Mas, o sucesso de Lana e outros intérpretes impedia o lan­çamento original entre nós. O mesmo acontecia com o grupo vocal The Playings, uma invenção do produtor José Scatena (Titulares do Ritmo, famoso grupo vocal de SP, mais as cantoras de estúdio, irmãs Gradilone), então dono da gravadora e estúdio RGE que, com a gravação de sucessos do hit-parade americano como Lollipop e Banana Split, impediu a entrada dos hits originais. Até o tradicio­nal Conjunto Farroupilha frequentou o gênero, com a gravação de Mr. Lee. (PAVÃO, 2011. p. 38). 

O Club do Rock de Carlos Imperial ia de vento em popa e o destaque era um jovem de apenas 17 anos chamado Sérgio Murilo, que viria a despontar como grande cantor no ano seguinte. Betinho e Seu Conjunto emplacavam mais um sucesso, “Aguenta Rojão”. No segundo semestre, o Pai do Rock, Bill Haley (junto com Seus Cometas), veio ao Brasil pela primeira vez e fez um show antológico, televisionado pela TV Record. Ficou impressionado com a recepção que teve, pois não imaginava ser tão popular por aqui. O professor de violão Theotônio Pavão tinha muitos alunos que de quando em quando se reuniam para fazer festas, onde mostravam seus atributos artísticos. Foi durante algumas desses happenings que o jovem cantor e guitarrista Albert Pavão, filho de Theotônio, começou a aparecer, imitando seu ídolo Elvis Presley.

Em 1959, Celly Campello gravou seu mais retumbante sucesso, “Estúpido Cupido”, versão do clássico de Neil Sedaka, “Stupid Cupid” que vendeu ceca de 100 mil exemplares e disputou o primeiro lugares nas paradas como pesos pesados como Elvis Presley, Paul Anka e o próprio Sedaka. A música havia sido erroneamente gravada no lado B de “The Secret”, ao invés do costumeiro lado A. O êxito foi tanto que Celly e o irmão Tony entraram em evidência junto aos roqueiros paulistas. Celly emendou outros sucessos como “Túnel do Amor”, “Just Young”, “Tammy” e “Lacinhos Cor de Rosa”. Os irmãos Campelo estrearam o primeiro programa de Rock da televisão brasileira, Tony e Celly em Hi-Fi pela TV Record, onde recebiam as emergentes estrelas da época. A Record, aliás, sempre esteve envolvida na divulgação do Rock and Roll, trazendo grandes atrações internacionais como Johnny Ray, Johnny Restivo, Frankie Avalon, além de Bill Haley. Até o fim de ano, todas as emissoras de TV do Brasil tinham seus programas para jovens.

No Rio de Janeiro, Carlos Imperial transformou seu o Club do Rock num programa apresentado pela TV Tupi carioca. Foi nesse programa que despontou para o sucesso seu pupilo Sérgio Murilo. Outra das descobertas de Imperial foi o conjunto Sputniks de Roberto Carlos e Tim Maia. Todavia, o produtor se interessou mais no primeiro, de quem se tornou protetor e empresário. Tim Maia foi então para os EUA e decretou o fim dos Sputniks. Foi nessa época que Roberto foi apresentado ao seu futuro parceiro Erasmo Esteves.

Roberto e Erasmo já se conheciam de vista desde o final de 1957, quando Roberto Carlos passou a se encontrar com o pessoal que frequentava o Bar Divino. Mas ali os dois não chegaram a travar maiores contatos, eram encontros esporádicos, rápidos; às vezes, quando um chegava, o outro já estava saindo. Por insistência de sua mãe, no início de 1958 Erasmo foi também estudar datilografia no Colégio Ultra, na Tijuca,onde Roberto Carlos àquela altura estava cursando o supletivo. Os dois se esbarravam pelos corredores do colégio, mas ali também não chegaram a ter uma apresentação formal. Isto só aconteceu mesmo em abril de 1958,quando Roberto Carlos precisou da letra de Hound dog. – “Roberto, este é o Erasmo, o cara que sabe tudo de Elvis.” Foi com essas palavras que Arlênio Lívio colocou em sintonia a dupla Roberto e Erasmo. “Eu já conheço você da televisão”, afirmou Erasmo, deixando Roberto feliz ao ser reconhecido como artista. E de fato, além de se esbarrarem ali pela Tijuca, Erasmo já tinha visto Roberto Carlos cantar no Clube do Rock, quando Carlos Imperial o anunciava como “o Elvis Presley Brasileiro”.(ARAÚJO, 2006. p. 51).

Sob a tutela de Imperial, o futuro Rei da Juventude gravou seu primeiro compacto, não um Rock mas um samba, “Joãozinho e Maria”.

Fontes: 

Os Primórdios do Rock no Brasil por Andre de Oliveira

Rock Brasileiro 1955-65: trajetórias, personagens e discografia por Albert Pavão

Roberto Carlos em Detalhes por Paulo César de Araújo

The Sputniks: o início de duas grandes feras da MPB: Tim Maia e Roberto Carlos (o 1º e o 4º da esq. p/ dir.) crédito: http://4.bp.blogspot.com/-wiclFmNn4c4/TaIE-AMX4tI/AAAAAAAAf9Q/mFzRAGy43Pk/s320/sputiniks.jpg

The Sputniks: o início de duas grandes feras da MPB: Tim Maia e Roberto Carlos (o 1º e o 4º da esq. p/ dir.)
crédito: http://4.bp.blogspot.com/-wiclFmNn4c4/TaIE-AMX4tI/AAAAAAAAf9Q/mFzRAGy43Pk/s320/sputiniks.jpg

 

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