Rock Brasil Review: Legião Urbana, parte 2

Renato Russo, egresso do Aborto Elétrico, após uma fase atuando como o Trovador Solitário, conheceu o baterista Marcelo Bonfá e junto com ele formou a Legião Urbana em 1982, cuja proposta era contar com uma formação flutuante em torno da dupla. Em seus primeiros shows contaram com Paulo Paulista (teclados) e Eduardo Paraná (guitarra). Depois veio Ico Ouro Preto que ficou até o início de 1983 e acabou sendo substituído por Dado Villa-Lobos. Nesse meio tempo, Renato mudou o direcionamento da banda, que passou a ter uma formação fixa. Graças a uma força do amigo Herbert Vianna, a Legião fez um um show antológico no Circo Voador no Rio de Janeiro e chamou a atenção da gravadora EMI, com que assinou contrato. Em 1984, o baixista Renato Rocha foi recrutado para a banda depois que Renato Russo tentou cortar os pulsos.

Em 1985, saiu o primeiro álbum da Legião, autointitulado, que contou com a produção primorosa de Mayrton Bahia. De cara, a banda manda ver em seus grandes clássicos: Será? (Dado, Renato, Marcelo), música que foi o primeiro hit nacional da Legião; Ainda É Cedo (Dado, Renato, Marcelo e Ico Ouro Preto), que foi gravada pela cantora Marina; Geração Coca Cola (Renato), composição que fazia parte do repertório do Aborto Elétrico e Por Enquanto (Renato), da época em que Renato atuava como o Trovador Solitário. A paritr do primeiro traabalho, todos os discos tinham as frases “Urbana Legio Omnia Vincit” (“A Legião Urbana a tudo vence”) e “Ouça no Volume Máximo”. O disco foi muito bem sucedido e tocou bastante nas rádios. O engraçado é que muita gente na época pensava que o cantor Jerry Adriani tinha gravado Será?, graças á semelhança do timbre de voz que Renato tinha com o ídolo da Jovem Guarda [este que vos escreve também foi “enganado” por essa similaridade da voz do bardo da legião e a voz romântica da JG].

Em 1986, foi lançado o segundo álbum, Dois, também sob a batuta de Mayrton Bahia. A ideia era lançar um álbum duplo que teria o nome Mitologia e Intuição, mas a gravadora não quis bancar esse projeto. Diferente do anterior que tem uma verve Punk muito forte, esse disco é mais lítico e Folk, também rechado de clássicos legionários como Daniel na Cova dos Leões (R. Rocha, R. Russo), Quase sem Querer (Dado, Renato, Marcelo), Eduardo e Mônica, Música Urbana 2 (para diferenciar de Música Urbana dos colegas de cena Capital Inicial), a bela e romântica Andrea Doria, Fábrica (o momento mais Punk do álbum), Índios (uma critica pungente) e Tempo Perdido, todas de Renato [N. do ed.: foi minha iniciação no interesse pela Legião]. Foram vendidas mais de 1,2 milhões de cópias, fazendo o disco ser o segundo mais rentável trabalho da banda. O álbum colocou a Legião no Olimpo do Rock Brasil e eles foram angariando milhares de fãs Brasil afora.

Em 1987, saiu o álbum Que País é Este 1978-1987, outra produção de Mayrton Bahia. Diante do sucesso do disco anterior, a gravadora pressionou a banda para a gravação de um novo trabalho. Só que não houve tempo hábil de compor material novo e o jeito foi incluir composições que Renato tinha escrito na época do Aborto Elétrico como Conexão Amazônica (Renato, Fê Lemos), Química (música que Renato havia escrito para os Paralamas do Sucesso) e Que País é Este?, verdadeiro clássico do Rock Brasil. também coisas da fase Trovador Solitário como Tédio (Com um T Bem Grande pra Você), Eu Sei e o épico de nove minutos Faroeste Caboclo (segundo Renato, esta era sua Hurricane, clássico do bardo Bob Dylan). Apenas duas músicas foram compostas depois do álbum Dois: Angra dos Reis (Marcelo, R. Russo, R. Rocha) e Mais do Mesmo (Dado, Russo, Rocha e Bonfá), que seria o nome do álbum. Algumas músicas do disco invadiram as rádios brasileiras e outras foram censuradas: Conexão Amazônica pela temática referente ao tráfico de drogas e Faroeste Caboclo por causa dos palavrões.

Em 1988, por conta das altas vendagens dos dois discos, as turnês da legião tornaram-se muito concorridas e sempre aconteciam tumultos nos lugares por onde a banda passava. Isso causava desconforto entre as autoridades locais e estresse para o músicos que não suportavam tanto assédio. O clímax dessa tensçao toda aconteceu no dis 18 de junho daquele ano quando a banda se apresentou no estádio Mané Garrincha em sua terra natal. Cerca de 50 mil pessoas que ficaram do lado de fora entraram no estádio e aí o caos se instaurou: violência policial, discursos inflamados, coquetéis molotov atirados, e um sujeito acabou invadindo o palco para agarrar violentamente o vocalista. A apresentação foi suspensa, houve mais quebra-quebra e o saldo final do pandemônio foi de cinquenta pessoas presas e mais de trezentos feridos. Por causa desse furdunço, a turnê foi cancelada. A partir de então, a banda começou a centrar suas atividades em estúdio.

Em 1989, a banda começou a gravar seu mais novo álbum, que foi lançado com o nome As Quatro Estações. Em meio ás sessões, o baixista Renato Rocha se desentendeu com o batera Marcelo Bonfá e deixou a Legião. Renato e Dado tiveram que gravar algumas linhas de baixo devido à partida de Negrete. O disco, que teve a produção de Mayrton Bahia é uma verdadeira coletânea de clássicos da banda (e por tabela do Rock Brasil), todos escritos pelo trio Renato/Dado/Marcelo: Há Tempos, Pais e Filhos (escrita por ocasião do nascimento do único filho de Renato, Giuliano), Quando o Sol Bater na janela do Teu Quarto (onde Renato conta a história de uma amiga sua que se suicidou), Eu Era Um Lobisomem Juvenil, 1965 (Duas Tribos), contundente crítica á tortura praticada no infame Regime Militar; Monte Castelo (uma das mais belas canções brasileiras de todos os tempos, que mistura trechos da Primeira Carta aos Coríntios capítulo 13 ao Soneto nº 11 do poeta português Luiz Vaz de Camões) e Sete Cidades (outro momento de lirismo do grupo), além de Maurício e Meninos e Meninas, duas músicas onde Renato escancara ao mundo sua bissexualidade. Esse foi o álbum mais vendido da história da banda (1,7 milhão de cópias).

Continua no próximo post

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